Aquicultura Orientada por Dados: Lições da Indústria de Laticínios
TMTom McDonnel•11 de abril, 2024•5 min de leitura•Publicação do LinkedIn
Bem-vindos ao Blog da Wittaya Aqua! A nossa primeira publicação de hoje foca-se nas lições aprendidas da indústria de laticínios e como podem ser aplicadas para melhorar a produção aquícola.
A produção de laticínios na América do Norte teve um aumento meteórico ao longo do último século tanto em termos de avanço tecnológico como de produtividade geral. A maioria das pessoas quando ouvem o termo quinta de laticínios pensam num pequeno celeiro vermelho com algumas vacas a pastar lá fora. Isso seria verdade na indústria há cerca de um século.
As quintas de hoje passaram por uma transformação tecnológica, desde drones robóticos para empurrar a ração até sistemas de ordenha autónomos guiados por laser.
Tendo crescido numa quinta de laticínios, uma coisa que sempre me surpreendeu foi a capacidade da maioria dos produtores de laticínios de caminharem pelo seu rebanho e contarem-te praticamente qualquer coisa sobre cada uma das suas vacas: nome, idade, produção média de leite, pedigree (mãe e pai), pontuação de conformação corporal, número de lactações, etc.
Isto deve-se em grande parte ao facto de mais de 2/3 das quintas de laticínios canadianas usarem algum tipo de sistema de monitorização do rebanho ou gestão da produção. Estes sistemas permitem às quintas rastrear marcos relevantes enquanto monitorizam a saúde e progresso do seu rebanho. Pensa nisso como manter registos médicos detalhados de todas as tuas vacas.
Estes sistemas foram construídos em torno de certos padrões da indústria, que permitem uma comparação fácil de diferentes forças do rebanho. Estes padrões estão bem definidos, fornecendo aos produtores uma "linguagem" com a qual transmitir informação relevante uns aos outros.
Um exemplo importante deste padrão é o da Média da Classe da Raça (BCA), que é um índice que mede a produção de Leite, Gordura e Proteína de cada vaca. Basicamente diz-te quão boa uma vaca é a produzir leite, permitindo uma comparação "de maçãs com maçãs" de vacas através de diferentes raças, idades e meses de lactação. A BCA média mais que duplicou desde 1952, o ano em que foi registada pela primeira vez, significando que as vacas de hoje produzem mais que o dobro das vacas de há 65 anos.
Em 2012, a "Vaca do Ano" Holstein foi para Eastside Lewisdale Gold Missy, uma inspiração para todos nós, que produziu 16.208kg de leite num período de 305 dias. Isto dá-lhe uma BCA de 318, que é mais que o triplo da BCA média em 1952. Para referência, Missy vale 1,2 milhões de dólares americanos.
Fonte: https://www.theglobeandmail.com/report-on-business/missy-the-million-dollar-holstein/article1204758/
A recolha e agregação de dados de produção alimentou toda uma indústria de apoio para quintas de laticínios, que usa a informação recolhida em conjunto com modelos matemáticos, conhecimento científico e novas tecnologias para desenvolver melhores índices de seleção genética, programas de alimentação e ferramentas de gestão da saúde do rebanho.
Estes avanços são o que impulsionou uma revolução tecnológica na indústria de laticínios que continua hoje, com startups como SomaDetect, Recombinetics, Agrivida e Scio a liderar o caminho.
Porque é que isto importa para a aquicultura?
A aquicultura é uma indústria relativamente jovem com o potencial de se tornar a fonte mais sustentável de proteína animal do mundo. Ultrapassou a indústria da carne bovina em 2012 em termos de volume de produção anual e continua a crescer a um ritmo acelerado. Isto deve-se em grande parte à eficiência da aquicultura, que pode produzir mais proteína animal com menos ração que qualquer uma das indústrias pecuárias tradicionais.
As quintas aquícolas operam de uma maneira fundamentalmente diferente da pecuária tradicional devido a, adivinhas-te, água. Um grande desafio na indústria tem sido a falta de modelos padronizados para estimar o crescimento e mortalidade de peixes, moluscos e crustáceos. Isto é parcialmente devido à dificuldade de medir o crescimento de animais marinhos quando não os consegues ver.
Claro, a taxa de crescimento varia com as espécies, estirpes, condições de cultura, estágios de vida, estação, temperatura da água, pH, etc. Como há tantas variáveis em jogo, precisamos de um conjunto eficaz de padrões que permitam a medição repetida de diferentes espécies ao longo dos ciclos de produção.
O melhor exemplo de medição ineficaz é o uso generalizado do Modelo de Taxa de Crescimento Específica (SGR), que nem sequer tem em conta a temperatura da água. Isto é obviamente falho; os peixes são animais ectotérmicos e as flutuações na temperatura da água têm um impacto significativo no seu crescimento.
No futuro, precisamos de adotar uma "cultura de benchmarking" similar que tome medições objetivas da indústria e empodere o avanço tecnológico. Com uma população global a aumentar rapidamente, muitos estão a olhar para a aquicultura como uma das formas mais eficazes de preencher a escassez de fornecimento.
A indústria aquícola poderia fazer um trabalho muito melhor definindo o nível de desempenho alcançado nas quintas, adotando modelos mais relevantes e tornando os marcos mais sistemáticos e melhor conhecidos. Se a indústria de laticínios é uma indicação, a aquicultura poderia dar um grande salto num período curto de tempo com a adoção de ferramentas de dados e padrões robustos.